Sou catadora de lixo, me apego com facilidade ao que já não tem valor. Guardo entre as mãos, com cuidado e reverência, o entulho retorcido do que um dia existiu entre nós. Recolho os escombros do sentimento, os restos da relação que mal e mal existiu, cada palavra, cada beijo, cada sorriso, tudo o que você descartou sem sentir remorso ou pesar. Vejo beleza naquilo que você abandonou. Vejo sentido no que pra você já não tem razão. Minhas posses são sonhos encardidos e lembranças rotas, que levo comigo por todo lado que vou.
Abrigo com ardor esses pequenos tesouros, suspiros, silêncios, cheiros e gostos, na tentativa estéril de não esquecer. Eles são tudo o que me resta, o que me move, o que me conserva, o que me impede de desaparecer.
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