Diz o ditado que "quem canta seus males espanta", ou ainda “quem canta os vizinhos espanta”, hehehe. A verdade, creio eu (e aí entramos em outra discussão, de que verdade falamos ? Da verdade ontológica, história socialmente construída, da verdade pessoal de cada um, imaginário e cultura... melhor deixar pra lá), é que cantar envolve um misto de exposição e intimidade, empenho e aceitação, ousadia e timidez que dificilmente encontra parâmetros ou similar. É quase uma “catarse individual”, que pode assumir proporções inimagináveis quando incentivada pelo coletivo. É como conectar-se consigo mesmo e com todo mundo na volta de uma só vez.
Cantar é colocar pra fora, é sentir-se compreendido porque alguém, um dia, fez uma música que parece ter sido escrita sob encomenda. É poder dizer o que se pensa, mas em palavras bonitas, com ritmo que contagia e uma orquestra inteira (ou a banda de amigos da facul) pra acompanhar.
Cantar pode não trazer de volta aquele amor perdido, pode não levar embora aquela preocupação que persegue e assombra, pode não resolver todos os seus problemas e nem oferecer, inteiramente de grátis, um brinde especial. Mas cantar é divertido pra cacete e isso é tudo que cantar precisa ser.
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