A outra apareceu esses dias lá em casa. Sem aviso ou cerimônia, foi entrando de malas nos braços, querendo ficar. Aí foi aquela confusão, ela já querendo ocupar o meu espaço, eu tentando mandar embora, explicando que não ia dar certo. No fim, não teve jeito de fazê-la ir. Então, combinamos que ela se manteria mais recolhida dessa vez. Tudo bem sair de vez em quando, dar uma espiada. Mas nada de ficar na rua até tarde, nada de fazer alarde, nada de se espalhar pela sala e dominar a conversa.
Por enquanto tem funcionado. Ela costuma vir de leve agora, só quando eu fico sozinha, no carro ou no banho, só pra não perder o hábito. Ela já perdeu um pouco da fúria, do sentimento de urgência, já não assume mais o controle como costumava fazer. Mas ainda assim ela me perturba, me desestabiliza, me tira do sério, machuca, assusta. Tudo por causa dele, dele que ela, eu mesma, a outra não me deixa esquecer.
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