terça-feira, 3 de abril de 2007

Pobre narciso, de olhos fechados, não enxerga mais do que o seu egoísmo pode ver.

Perdido em si mesmo, pelos próprios humores atado, pensa que é livre, mas é escravo daquilo que não pode ter.

Pobre narciso de espírito quebrado, não enxerga a si mesmo a não ser pelos olhos de quem lhe dá atenção.

Seu sorriso esconde que, desnorteado, busca, quase desesperado, na mão do outro o seu momento de redenção.

Pobre narciso afogado no espelho, enfeitiça e seduz aqueles que passam pelo seu caminho.

Mas narciso não se doa, não troca, não afaga, não sabe existir a não ser que seja sozinho.

Pobre narciso que, com seu canto triste, esconde a solidão que aos pouco lhe mata, esvaindo-se em nada de forma sutil.

Sua imagem distorcida, abstrata, não reflete mais nada além do próprio vazio.

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