“O amor é tudo, menos convencimento. O amor não é razão, é desejo. O desejo arruma razões - as mais diferentes - para se preservar. Por isso, parece tão alucinado e contraditório. Por dentro, o amor não se mexe. Por fora, o amor modifica.
A idealização não desmascara. Entendo que a idealização salva, porque ela sonda universos imaginários para aperfeiçoar o nosso.
Conhecer uma mulher na sua intimidade é insubstituível. Não se troca interesses, mas assume-se um interesse em comum: o de não ter interesses para permanecer juntos.
É mais do que colocar a escova de dente ao lado da outra, ou de acordar acompanhado, ou de enfrentar as dívidas e os problemas. Amor é recuperar a alegria miúda de não depender de mais nada para ser feliz. Nem de si mesmo. É a pobreza, não a ambição, que mantém o amor acordado.
Está esquecendo toda a generosidade que envolve o amor. A doação. O esvaziamento dos preconceitos intelectuais. A necessidade de mudar os costumes ou enobrecê-los. A partir dele, saímos dos próprios condicionamentos.
Caso não goste de jazz, ela poderá ensinar o quanto é bom. Caso ela não goste de futebol, de repente estará torcendo como se fizesse parte da torcida organizada.
Exato: só nos aceitamos quando o outro nos ensina o que somos. Nossa complacência, nossa tolerância não permite a transparência. Nos perdoamos porque estamos acostumados a fazer sempre igual.
Como o amor, o igual é diferente. O igual é observado com atenção e minúcia. O igual é assistido.
O amor é tão cheio de sentido e fúria, que parece sem sentido quando queremos defini-lo.”
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